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Agente de IA para escritório de advocacia: o que a OAB proíbe é exatamente o que vendem como recurso

Escritórios estão entre os que mais buscam agente de IA no Brasil. Só que o Provimento 205/2021 veda captação de clientela — e a política da Meta veda a mesma coisa por outro motivo. A automação que sobra ainda é muito.

Escritório de advocacia é um dos três setores que mais buscam “agente de IA” no Google Brasil. E é o único dos três em que a maior parte do que se vende como recurso de vendas é vedado pela própria Ordem.

Não é exagero. Uma boa parte dos materiais de IA para WhatsApp promete exatamente isto: prospecção ativa, mensagem para lista, abordagem persuasiva, oferta com preço, gatilho de urgência. Aplicado a um escritório, esse pacote colide de frente com o Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB.

A boa notícia — e é uma notícia grande — é que o que sobra depois de tirar tudo isso ainda é quase toda a operação de recepção de um escritório. E é justamente a parte que consome o tempo de gente cara.

O que o Provimento 205/2021 diz, com os artigos

O Provimento 205/2021 está em vigor desde julho de 2021 e revogou o antigo Provimento 94/2000. Ele permite publicidade e informação na advocacia, inclusive em redes sociais e aplicativos de mensagem — a lógica não é proibir presença digital, é impedir que ela vire mercantilização.

O que ele veda, e que interessa diretamente a quem vai configurar uma IA:

Captação de clientela. O artigo 2º, inciso VIII, define captação como o uso de mecanismos de marketing que, de forma ativa, se destinam a angariar clientes, por indução ou estímulo ao litígio. O artigo 3º proíbe as condutas que a configuram, incluindo informação enganosa e linguagem persuasiva.

Honorários na publicidade. O artigo 3º, inciso I, veda a “referência, direta ou indireta, a valores de honorários, forma de pagamento, gratuidade ou descontos” como forma de captação.

Promessa de resultado e caso concreto. O artigo 6º proíbe a menção a promessa de resultados ou o uso de casos concretos para oferta de atuação profissional.

Mala direta em massa. O Anexo Único é direto: envio em massa é expressamente vedado. Admite-se comunicação dirigida a clientes e a contatos autorizados, sem caráter mercantil.

WhatsApp, especificamente. O Anexo trata do aplicativo e admite o compartilhamento em grupos de pessoas determinadas, no âmbito do relacionamento pessoal do advogado, respeitadas as normas éticas. Não é autorização para grupo de desconhecidos nem para lista fria.

A coincidência que resolve a vida do escritório

Aqui está o ponto que vale o artigo inteiro.

O disparo para lista de possíveis clientes — o recurso mais vendido do mercado de automação — é proibido pela OAB e, ao mesmo tempo, barrado pela Meta, por um motivo completamente diferente.

A política de mensagens da Meta exige consentimento prévio do destinatário para a empresa iniciar conversa. Sem opt-in, não é só antiético: é infração de plataforma, com consequência prática de queda de qualidade do número e restrição de envio. Explicamos o que vale como autorização em opt-in: o que a Meta exige e o que acontece com quem insiste em disparo em massa é permitido?.

Ou seja: o escritório que segue o Provimento por dever ético está, sem querer, seguindo a melhor prática técnica do canal. As duas regras apontam para o mesmo lugar — espere ser procurado, e responda impecavelmente.

Duas colunas comparando o que um agente de IA de escritório de advocacia pode fazer, como responder quem procurou, informar áreas de atuação, agendar consulta e organizar a fila, e o que ele não pode fazer, como disparar mensagem para lista, prometer resultado, anunciar honorários e usar linguagem de venda
A coluna da direita é proibida duas vezes: pela Ordem e pela plataforma

O que a IA pode fazer num escritório, sem chegar perto da linha

Tirando a prospecção ativa, o que resta é o trabalho que hoje ocupa a recepção, a secretária e — em escritório pequeno — o próprio advogado às onze da noite:

Responder quem escreveu, na hora. Quem procura advogado geralmente está em situação ruim e escreve fora do horário comercial. Responder em segundos, mesmo que para dizer “recebi, um advogado vai te retornar amanhã às 9h”, muda a percepção do escritório inteiro.

Informar o que é público. Horário, endereço, áreas de atuação, como funciona a primeira consulta, o que levar. Nada disso é captação; é informação, e o Provimento permite.

Explicar em tese. Um agente pode explicar como funciona um procedimento no geral. O que ele não deve fazer é analisar o caso da pessoa e oferecer atuação a partir dele — isso é caso concreto, e o artigo 6º trata disso.

Triar antes do advogado entrar. Área do problema, urgência, se já existe processo, se já falou com outro escritório. Isso é organização de fila, não venda. E economiza a parte mais cara do processo: o tempo de quem tem OAB.

Receber e conferir documentos. Cliente manda foto do contrato, do documento, do comprovante. A IA recebe, organiza e avisa o que falta. Trabalho puramente administrativo, alto volume, zero risco ético.

Agendar. Se a IA enxerga a agenda, ela marca a consulta. Se não enxerga, ela promete horário que não existe — e isso não é problema de ética, é problema de integração, que é o ponto do próximo tópico.

Avisar andamento já combinado. Para quem já é cliente, comunicação é permitida e esperada. Uma notificação de audiência marcada ou de prazo é utilidade, não publicidade.

O detalhe técnico que decide se isso funciona

Tudo acima depende de uma coisa que não é jurídica: de onde a IA tira a informação.

Um agente que responde só a partir de texto cadastrado consegue informar endereço e área de atuação. Ele não sabe se a quinta-feira às 15h está livre, não sabe que aquele número é de um cliente com processo em curso, e não sabe que o prazo daquele caso vence amanhã.

Para isso, o agente precisa estar na API Oficial, rodando numa plataforma que converse com a agenda e com o sistema do escritório. Comparamos os caminhos possíveis — o assistente gratuito do aplicativo, o agente da própria Meta e o agente da plataforma — em Business AI, Meta Business Agent e agente próprio.

Uma nota de precisão sobre o agente da Meta, já que a dúvida aparece: a documentação lista cinco verticais aprovadas, e Serviços Profissionais é uma delas — que é onde escritórios normalmente se enquadram. Ainda assim, a disponibilidade é por país e vertical aprovados, e a Meta publicou um endpoint de elegibilidade para checar um número específico. Consultar leva um minuto e vale mais do que interpretar a lista.

Sigilo: a pergunta que o escritório precisa fazer ao fornecedor

O sigilo profissional é do advogado, e nenhuma ferramenta assume isso por ele. O que muda é onde a conversa mora.

Num escritório que atende pelo aplicativo comum, a conversa com o cliente mora no celular do advogado ou do estagiário. Quem sai leva o histórico. Quem perde o aparelho perde a conversa. Ninguém consegue auditar quem leu o quê.

Na API Oficial com uma plataforma séria, o histórico fica na conta do escritório, o acesso é por pessoa e pode ser revogado quando alguém sai, e existe registro de quem atendeu o quê. Isso não é conveniência: é a condição mínima para tratar com seriedade um dever que a lei impõe ao advogado.

Vale somar aqui as obrigações da LGPD sobre dado pessoal em atendimento automatizado, que tratamos em IA no atendimento e LGPD.

As perguntas objetivas a fazer para qualquer fornecedor:

  1. O histórico fica em nome do escritório ou no aparelho de quem atendeu?
  2. Consigo revogar o acesso de uma pessoa sem perder as conversas dela?
  3. Quem, do lado de vocês, consegue ler as conversas dos meus clientes?
  4. Se eu trocar de fornecedor, eu levo o número e o histórico?

A última costuma revelar bastante — tratamos dela em trocar de fornecedor da API do WhatsApp.

O erro de configuração mais comum

Se o escritório entregar para um fornecedor um pedido genérico do tipo “quero uma IA que venda no WhatsApp”, ele vai receber, por padrão, um agente treinado com técnica de vendas: urgência, gatilho, oferta, insistência. Nada disso pode.

O pedido certo é outro, e vale escrever assim mesmo no briefing:

“Quero um agente que informe, tria e agende. Ele não oferece atuação, não fala de honorários, não promete resultado e não aborda ninguém que não tenha escrito primeiro.”

Um agente configurado desse jeito é mais simples, mais barato e — este é o ponto que costuma surpreender — converte melhor no mercado jurídico, onde o cliente decide por confiança e não por oferta.

Onde a gente entra

O AtendeChat é parceiro oficial da Meta e coloca o escritório na API Oficial com a operação organizada: vários atendentes no mesmo número, fila de distribuição por área ou por advogado responsável, histórico centralizado no escritório, funil em kanban para acompanhar consulta marcada, contrato enviado e caso em andamento, além de integração com os sistemas que o escritório já usa.

Conduzimos com você a verificação de negócio, o registro do número e a aprovação dos templates — e aqui vale um cuidado a mais, porque o texto de um template de escritório passa por dois crivos: o da Meta e o do Provimento.

Se o número do escritório hoje está no aplicativo, com anos de conversa de cliente dentro, dá para migrar sem perder isso: nós suportamos coexistência, mantendo o número funcionando dos dois lados durante a transição.

Fale com a gente e comece pela pergunta mais reveladora de todas: se o advogado que atende no WhatsApp sair amanhã, o escritório fica com as conversas dos clientes dele?

Fontes

  1. OAB — Provimento 205/2021: publicidade e informação na advocacia, com Anexo Único sobre redes sociais, WhatsApp e mala direta
  2. OAB/RS — Provimento 205/2021: definições e regras para a publicidade na advocacia
  3. Meta — Meta Business Agent Platform overview: verticais aprovadas, incluindo Professional Services, e endpoint de elegibilidade
  4. Meta — Pricing on the WhatsApp Business Platform: janela de atendimento de 24 horas e exigência de template fora dela

Rode seu WhatsApp na API Oficial da Meta

O AtendeChat é parceiro oficial da Meta: multiatendimento, Kanban, campanhas e IA — dentro das regras.

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